Pizza al taglio: massa, tabuleiro 60×40 e venda à fatia

Atualizado em 21 de outubro de 20265 min de leituraRomain Ferrand — pizzaiolo, 12 anos entre roulottes e salas de pizzaria

Um tabuleiro de 60×40 leva 1,4–1,6 kg de massa, hidratada a 75–85% com água fria juntada em várias vezes, maturada 24–72 horas a 2–5 °C e deixada subir até à borda do tabuleiro a 20–22 °C. Abre-se com a ponta dos dedos, pré-coze-se com um véu de tomate e termina-se depois de coberta. Depois vende-se ao peso ou à fatia: é ao almoço que rende mais.

Teglia, pala, taglio: onde fica a fronteira

Em Roma, teglia e taglio são o mesmo produto visto de dois lados: a cozedura no tabuleiro de ferro azul ou de alumínio, a venda à tesoura e à balança. A pala partilha a massa muito hidratada, mas abre-se sobre uma pá de madeira e coze diretamente no lastro, com uma base mais estaladiça e uma forma alongada. A tonda romana estaladiça é outro mundo. Para quem tem uma pizzaria de pizza redonda, o tabuleiro tem uma vantagem que nenhum outro estilo oferece: coze-se com antecedência, por isso o balcão do almoço não precisa de um pizzaiolo a abrir massa.

As diferenças técnicas entre os estilos estão em pizza napolitana ou romana.

A massa

Farinha

Precisa de força: W 300–350, uma 0 ou 00 italiana de longa fermentação ou uma mistura própria para tabuleiro. A escola romana trabalha muitas vezes com misturas que levam 5–10% de farinha de arroz, de soja ou integral, pela crocância, pela cor e pela forma como aguenta na vitrine. Uma T65 portuguesa de uso corrente, com W à volta de 200, não segura 80% de água durante três dias; use-a no máximo em mistura. A página sobre farinha para pizza explica porquê.

Hidratação

Na produção fica-se entre 75 e 85%, com água fria juntada em duas ou três vezes: a rede de glúten constrói-se a 65–70%, e o resto entra quando a massa se descola da cuba. Se a equipa está habituada a 60%, comece nos 70–72% e suba dois pontos por semana. Uma massa a 85% mal trabalhada rende menos do que uma a 75% bem trabalhada.

Maturação

Fermentação em bloco de 24–72 horas a 2–5 °C, com 1–3 g de fermento de padeiro fresco por quilo de farinha, conforme a duração. Depois corte, boleado leve e 2–4 horas de fermentação final a 20–22 °C. Depois de aberta, a massa tem de chegar à borda do tabuleiro antes de ir ao forno: é a única referência que não engana.

A teoria e as tabelas estão em hidratação da massa de pizza.

Quanta massa para um tabuleiro de 60×40

A referência é cerca de 0,6 g de massa por cm² de tabuleiro. Abaixo de 0,58 g, a base fica fina e frágil; acima de 0,65 g, o miolo sobe mas são precisos mais minutos de forno. Para outros formatos, escala-se pela área.

Peso da massa por formato de tabuleiro
TabuleiroÁreaMassaFatias de 130–150 g
60 × 40 cm2400 cm²1400 – 1600 g16 – 20
40 × 30 cm1200 cm²700 – 800 g8 – 10
30 × 20 cm600 cm²350 – 400 g4 – 5

Base de 0,58–0,67 g/cm².

Abertura e cozedura

Tabuleiro bem untado com azeite, bola virada ao contrário, pontas dos dedos oleadas e pressão do centro para os cantos. Nada de rolo: em um minuto, esvazia três dias de maturação. Se a massa recua, dez minutos de repouso e volta-se ao trabalho.

Cozedura em dois tempos: pré-cozedura de cerca de 8 minutos a 280 °C com um véu de tomate, depois cobertura e mais 6–8 minutos. Lastro mais quente do que o teto, para a base estaladiça se formar antes de a superfície ganhar cor. Um forno elétrico de lastro entre 250 e 300 °C chega.

Coberturas que aguentam duas horas

Antes do forno, tudo o que coze bem: tomate, mozzarella bem escorrida, legumes assados, chouriço ou salsicha fresca. Depois, tudo o que sofre com o calor: burrata, rúcula, presunto, mortadela, tomate-cereja cru, um fio de azeite. A rossa (só tomate) e a bianca (só azeite e sal) continuam a ser os tabuleiros com melhor margem: pouca matéria-prima e um regresso ao forno que só as melhora.

Vender ao almoço: preço ao quilo, porção, desperdício

A pausa de almoço tem 30–40 minutos e o cliente quer apontar, pagar e sair. Venda ao peso ou à fatia, e calcule o preço a partir do custo, não do vizinho.

  • Fatia de 130–150 g, pesada à frente do cliente.
  • Custo por tabuleiro: massa mais cobertura, a dividir pelo peso cozido (2,2–2,6 kg num 60×40). Objetivo: custo de matéria-prima abaixo dos 30%. A calculadora de custo da pizza faz a conta.
  • Duas fornadas (11h30 e 12h30) em vez de uma só às 11h. O resto vai para o frio a 4 °C e volta ao forno antes de vender.
  • IVA a 13% no Continente, tanto ao balcão como em take-away: a pizza é uma refeição pronta. Os pormenores, bebidas incluídas, estão no guia do IVA da pizzaria.

O verdadeiro gargalo é a fila entre as 12h15 e as 12h45. Se os escritórios da zona puderem escolher as fatias numa ementa online e marcar uma hora de levantamento, as caixas estão prontas antes de chegarem.

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O tabuleiro na roulotte, ou como segunda linha

Nas feiras da manhã e nas zonas industriais à hora de almoço, ninguém espera doze minutos por uma pizza redonda. O tabuleiro pré-cozido na cozinha e acabado no forno da roulotte responde a essa procura. É também a solução para um café ou uma pastelaria sem forno de pizza: o tabuleiro coze bem num forno ventilado. Para o projeto completo, veja abrir uma roulotte de pizza.

Perguntas frequentes

Quanta massa para um tabuleiro de 60×40?

Entre 1400 e 1600 g, cerca de 0,6 g por cm². Menos para uma base fina e estaladiça, mais para um miolo alto. Um 40×30 pede 700–800 g.

Que hidratação para a pizza al taglio?

Entre 75 e 85%, com água fria juntada em várias vezes. Com uma equipa habituada a 60%, comece nos 70–72% e suba dois pontos por semana.

Quanto tempo pode um tabuleiro ficar no balcão?

Venda-o nas 2–3 horas seguintes à cozedura, aquecendo cada fatia na hora. Depois disso, vai para o frio a 4 °C e volta ao forno antes de vender. As coberturas frescas vão depois.

É preciso pré-cozer?

Sim: cerca de 8 minutos com um véu de tomate, depois cobertura e acabamento. Fixa o miolo e evita o centro molhado.

Fontes