Forno a lenha ou elétrico para pizzaria: o que muda mesmo

Atualizado em 21 de outubro de 20267 min de leituraRomain Ferrand — pizzaiolo, 12 anos entre roulottes e salas de pizzaria

Um forno elétrico de lastro a 450 °C coze uma napolitana que quase ninguém distingue de uma pizza de forno a lenha. O que muda não está no prato: está na saída de fumos e na câmara municipal, no custo por pizza e em quem pode estar à frente do forno. Numa fração de rés-do-chão com habitação por cima, é quase sempre esta última lista que decide.

LenhaElétrico de lastroGás
Temperatura de trabalho430 – 500 °C400 – 500 °C350 – 450 °C
Tempo até à temperatura1,5 – 2 h40 – 60 min20 – 30 min
Saída de fumosChaminé própria, com aprovação da câmaraSó exaustão de vaporesExaustão e instalação de gás certificada
Quem o operaUm forneiro experienteQualquer pessoa, com formaçãoMeio-termo
RegularidadeDepende do forneiroMuito altaAlta

Intervalos de funcionamento correntes para fornos profissionais de uma ou duas câmaras. Peça o consumo ao fabricante e faça a conta com o seu tarifário: o custo por pizza varia demasiado para um número único.

O que a lenha faz de verdade

Não é tanto o «sabor a fumo» — uma pizza de setenta segundos não fica tempo suficiente no forno para fumar — mas uma abóbada que irradia forte sobre o cornicione enquanto o lastro coze a base. É isso que dá as manchas de leopardo, e um forno elétrico com a resistência de cima bem regulada imita-o.

O resto é montra: um forno a lenha à vista da sala vende, e em Portugal, onde o forno a lenha já faz parte da cultura do frango, do leitão e do pão, essa é uma razão comercial perfeitamente legítima para o escolher.

O que o elétrico faz de verdade

Uma temperatura fixa, sem zonas quentes, sem mexer nas brasas a meio do serviço. Isso dá duas coisas que pesam mais do que parece: uma ementa que sai igual à terça e ao sábado, e a possibilidade de pôr um segundo cozinheiro ao forno ao fim de uma formação, em vez de ao fim de três meses de aprendizagem.

O caminho em Portugal

A lenha não se resume a comprar um forno. A fração tem de ter autorização de utilização para restauração, e a saída de fumos tem de ser uma conduta própria, compatível com o prédio, o que normalmente implica obras e um procedimento na câmara municipal. Num prédio em propriedade horizontal, uma chaminé que atravessa partes comuns ou a fachada também passa pelo condomínio. E a queixa que mais aparece com a lenha é a dos vizinhos, não a dos clientes.

Confirme tudo isto na câmara antes de assinar o arrendamento ou o trespasse, não depois. É aqui que a maior parte dos projetos encalha. O guia do licenciamento de uma pizzaria percorre os passos.

Quando ganha cada um

  • Lenha — forno à vista, um espaço onde uma chaminé é possível, um forneiro que o domine, e a napolitana como argumento de venda.
  • Elétrico — habitação por cima, equipa que roda, vários turnos, ou uma ementa com mais do que pizza.
  • Gás — roulotte e eventos, onde chegar à temperatura em vinte minutos vale mais do que os últimos 5% de qualidade de cozedura.

O seu site pode estar online antes do serviço desta noite

Cinco minutos. Sem cartão. E já está online.

Começar agora

O que muda na massa

Mudar de forno é mudar de massa. Um elétrico a 430 °C aguenta um pouco mais de hidratação do que a lenha a 480 °C, porque tem uns segundos a mais para evaporar antes de o bordo queimar. A napolitana clássica é o ponto de partida; se for para o elétrico, junte-lhe dois ou três pontos de hidratação.

Fontes