Programa de faturação para pizzaria: o que a AT exige

Atualizado em 21 de outubro de 20265 min de leituraRomain Ferrand — pizzaiolo, 12 anos entre roulottes e salas de pizzaria

Em Portugal, uma pizzaria tem de emitir fatura em cada venda e, na prática, tem de o fazer num programa de faturação certificado pela AT: é obrigatório acima de 50 000 € de volume de negócios, e obrigatório em qualquer caso a partir do momento em que fatura com software. Cada fatura leva ATCUD e QR code, e é comunicada à AT.

É obrigatório ter um programa certificado?

Ao contrário de outros países onde basta um livro de caixa, em Portugal a faturação é apertada. Cada pizza vendida dá origem a um documento — fatura ou fatura simplificada — com o NIF do cliente quando ele o pede. E o programa que emite esse documento tem de estar certificado pela Autoridade Tributária, que lhe atribui um número de certificação.

A sua situaçãoPrograma certificado?O que tem de fazer
Pizzaria com mais de 50 000 € de volume de negócios no ano anteriorSimFaturar tudo no programa, com ATCUD e QR code
Pizzaria a abrir que vai passar os 50 000 € no primeiro anoSimO limite conta-se anualizado desde o início de atividade
Qualquer casa que fature com softwareSimO software tem de ser certificado, seja qual for o volume
Empresa com contabilidade organizadaSimMesmo abaixo do limite

Regras de certificação de programas de faturação (Portaria n.º 363/2010) e comunicação de séries (Decreto-Lei n.º 28/2019), conforme resumidas pelo Santander «Salto». Confirme o seu caso com o contabilista certificado.

Uma pizzaria com sala, take-away e entregas passa os 50 000 € muito depressa — a 12 € a pizza, são umas treze pizzas por dia ao longo do ano. Na prática, conte com o programa certificado desde o primeiro dia.

O que a AT espera do seu programa

Séries comunicadas e ATCUD

Antes de usar uma série de faturas, ela é comunicada à AT, que devolve um código de validação. Com ele, o programa gera o ATCUD — o código único que aparece em cada documento. O programa certificado trata disto; o senhor só tem de confirmar que o fez antes da primeira venda.

QR code em cada documento

Todas as faturas emitidas por programa certificado levam QR code. Se o talão que sai da impressora não o tem, a configuração está errada.

Comunicação das faturas

Os programas certificados comunicam os documentos à AT por webservice ou através de um ficheiro SAF-T (PT), dentro dos prazos legais. É o que alimenta o e-fatura do cliente. Escolha um programa que faça a comunicação automaticamente.

Tudo faturado, mesmo o que oferece

A pizza do cliente habitual ou a do estafeta regista-se na mesma, com desconto ou a zero. Apagar documentos não é possível num programa certificado — anula-se com nota de crédito, e fica rasto. Se a AT não conseguir reconstituir as suas vendas, pode avaliá-las por métodos indiretos, e o ónus de provar o contrário passa a ser seu.

IVA na pizzaria: que taxa em cada caso

Que tipo de programa escolher

OpçãoPara quemAtenção a
Programa certificado no telemóvel ou tablet, com terminal de pagamentoTake-away pequeno, roulotteModo offline e impressora portátil
POS de restauração certificadoSala, talões para a cozinha, várias caixasContrato de fidelização e aluguer do equipamento
Instalação completa com ecrãs na cozinhaCasa com muito movimento e entregasCusto do equipamento e da assinatura

Peça sempre o número de certificação da AT e confirme-o na lista oficial de programas certificados no Portal das Finanças.

A nossa opinião: é tentador comprar logo o pacote mais caro. Não o faça. Para uma pizzaria de take-away chega um programa certificado com um fecho de caixa limpo e exportação para o contabilista. E não pague a mais pelo módulo de encomendas online do fornecedor do POS: costuma ser a parte mais fraca do pacote, sem horários de levantamento nem limite de encomendas por quarto de hora.

Roulotte sem rede

Numa feira ou numa romaria, a rede móvel cai muitas vezes. Escolha um terminal de pagamento com modo offline e um programa que emita faturas sem ligação e as comunique depois. Teste em casa: Wi-Fi desligado, dez vendas, Wi-Fi ligado, e confirme que estão todas no fecho do dia.

Abrir uma roulotte de pizzas: o guia completo

Caixa e encomendas online: separadas, mas faturadas

O trabalho legal do programa é emitir o documento certo em cada venda. Não tem de organizar a sua sexta-feira. As encomendas online e por telefone podem entrar por outro sistema, desde que cada uma acabe faturada no programa certificado. Sobretudo se quer sair das plataformas, um sistema de encomendas próprio ao lado de um POS simples sai muitas vezes mais barato do que um pacote tudo-em-um.

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Hora de ponta na pizzaria: encomendas por quarto de hora

Lista de verificação antes de assinar

  1. Número de certificação da AT, confirmado na lista oficial.
  2. Comunicação automática das faturas e das séries à AT.
  3. Fecho de caixa com vendas por taxa de IVA e por meio de pagamento.
  4. Exportação SAF-T para o contabilista.
  5. Modo offline, testado.
  6. Duração do contrato e custo do equipamento alugado.
  7. Os seus dados: como os exporta se mudar de fornecedor.

Perguntas frequentes

Uma pizzaria pequena pode faturar sem programa certificado?

Só abaixo dos 50 000 € de volume de negócios, sem contabilidade organizada e sem usar software de faturação — com faturas de tipografia autorizada, por exemplo. Para uma pizzaria com movimento normal, é uma exceção que dura pouco.

Tenho de pôr o NIF do cliente em todas as faturas?

Só quando o cliente o pede. Mas deve perguntar, ou ter o campo à mão, porque muitos querem a fatura com contribuinte.

As encomendas online têm de passar pelo programa?

Têm de ser faturadas no programa certificado, sim. Lançadas à mão ou importadas do sistema de encomendas: as duas servem, desde que nenhuma fique de fora.

Uma roulotte precisa de programa certificado?

As mesmas regras: se fatura com software, ou passa os 50 000 €, sim. Uma aplicação certificada no telemóvel com impressora portátil resolve.

Receber encomendas online numa pizzaria

Para o resto da papelada da abertura, veja o licenciamento de uma pizzaria.

Fontes