Temperaturas de conservação na pizzaria: a tabela e as regras

Atualizado em 21 de outubro de 20267 min de leituraRomain Ferrand — pizzaiolo, 12 anos entre roulottes e salas de pizzaria

Em Portugal, a ASAE considera zona de risco tudo o que está entre 5 e 65 °C e diz que um alimento perecível nunca lá deve ficar mais de duas horas. Na prática: refrigerados a 5 °C ou menos, congelados a −18 °C ou menos, comida quente a 65 °C ou mais, e arrefecimentos rápidos. Se o rótulo pede uma temperatura mais baixa, vale o rótulo.

De onde vêm estes números

Entre os 5 e os 65 °C a maior parte das bactérias que estragam os alimentos — e algumas das que provocam doenças — multiplica-se, e muito depressa entre os 20 e os 55 °C. O frio trava-as sem as matar; o calor acima dos 65 °C trava o crescimento. Todo o HACCP se resume a isto: passar o menos tempo possível nessa zona, e conseguir prová-lo.

O Regulamento (CE) n.º 852/2004 fixa o princípio — respeitar a cadeia de frio e ter procedimentos baseados no HACCP — mas, ao contrário de outros países, Portugal não tem um código nacional que dê uma tabela única para a restauração. Os números saem de três sítios: o Regulamento (CE) n.º 853/2004 para alguns produtos, o rótulo do fabricante e o seu próprio plano HACCP. É por isso que o plano tem de os escrever.

A tabela de temperaturas

Temperaturas de conservação numa pizzaria — Portugal
ProdutoTemperaturaNuma pizzaria
Refrigerados em geral5 °C ou menos (fora da zona de risco)Tudo o que está na bancada refrigerada
Carne picada2 °C ou menosCarne para bolonhesa, almôndegas
Preparados de carne4 °C ou menosSalsicha fresca, carne temperada
Peixe frescoPróximo do gelo fundente (0 – 2 °C)Anchovas frescas, camarão
Mozzarella, laticínios, fiambreA do rótulo, normalmente 0 – 4 °CA base de quase todas as pizzas
Congelados−18 °C ou menosStock, sobremesas
Manutenção a quente65 °C ou maisTudo o que fica quente para o serviço
ArrefecimentoAtravessar a zona de 65 a 5 °C o mais depressa possível, idealmente em menos de 2 hMolho caseiro, legumes grelhados

ASAE — zona de risco entre 5 e 65 °C, nunca mais de 2 horas; Regulamento (CE) n.º 853/2004, anexo III (carne picada e preparados de carne, produtos da pesca); temperatura de −18 °C dos alimentos ultracongelados. Temperatura no centro do produto.

Regule o frio para 2 ou 3 °C e não para 5. Uma porta que se abre cinquenta vezes durante o serviço faz subir a temperatura do ar uns graus, e é essa margem que o mantém abaixo do limite.

O que é próprio de uma pizzaria

A bancada refrigerada durante o serviço

É o ponto fraco de quase todas as pizzarias. O compressor arrefece a cuba, mas a superfície das caixas GN abertas, a um metro de um forno a 400 °C, passa facilmente dos 10 °C no pico. Reponha pouco e muitas vezes, feche a tampa quando o ritmo abranda e nunca junte os restos de uma caixa à caixa fresca do dia seguinte.

As bolas de massa em fermentação a frio

A massa de fermentação lenta guarda-se, conforme a receita, entre 24 e 72 horas a 2 a 6 °C. Ponha em cada caixa a data e a hora da amassadura, e escreva no plano HACCP a aclimatação antes do serviço (duas a quatro horas à temperatura ambiente) em vez de a deixar ao critério de quem está de turno. A parte da receita está na massa de pizza napolitana.

Mozzarella, molho de tomate, charcutaria

  • Mozzarella: a temperatura do rótulo, normalmente entre 0 e 4 °C. Depois de aberta, escorrida ou cortada, a data do fabricante deixa de valer: defina o seu próprio prazo, muitas vezes 48 a 72 horas, e etiquete.
  • Molho de tomate: a lata aberta passa para uma caixa alimentar fechada e etiquetada no frio. O molho cozinhado na casa segue a regra do arrefecimento.
  • Charcutaria: o fiambre vai para o frio. Um chouriço ou um salame inteiro perdoa mais, mas depois de fatiado também fica no frio.

Descongelar

Descongela-se no frio, não na bancada nem debaixo da torneira de água quente, e o que foi descongelado não se volta a congelar.

Provar: registos e verificação

Um inspetor da ASAE pede os registos, não só o termómetro. Um mínimo razoável:

O quêQuandoComo
Frigoríficos, congeladores, bancada refrigeradaÀ abertura e ao fechoFolha assinada ou registador automático
Receção de mercadoriaEm cada entregaTermómetro de espeto entre duas embalagens; recusar se estiver fora
ArrefecimentoEm cada loteHora e temperatura no início e no fim
Termómetro de espetoTodos os mesesVerificação em água com gelo (0 °C)

Anote também o que fez quando algo falhou: produto deitado fora, técnico chamado. É a medida corretiva, e para um inspetor pesa tanto como a medição em si.

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Começar agora

O frio também é uma escolha de equipamento. O que comprar novo, e porque não se poupa na bancada refrigerada, está em equipamento de pizzaria comparado. Para a outra obrigação que toca em todas as ementas, veja os alergénios na restauração, e para o que a ASAE olha numa visita, a inspeção da ASAE.

Fontes