Alternativa à Glovo para uma pizzaria

Atualizado em 21 de outubro de 20265 min de leituraRomain Ferrand — pizzaiolo, 12 anos entre roulotte e sala

A Glovo não publica uma tabela de comissões para Portugal. O último número dito pela própria empresa em público é de 2020: entre 5 % e 35 % por encomenda, conforme o acordo. A alternativa não é sair amanhã — é levar para o seu site as encomendas de quem já o conhece, onde a mesma pizza custa cêntimos a vender.

Ninguém lhe sabe dizer a sua taxa — nós também não

A Glovo negoceia restaurante a restaurante. Em novembro de 2020, quando a DECO PROteste acusou a Glovo e a Uber Eats de pressionarem os parceiros com comissões elevadas, o responsável da Glovo em Portugal respondeu que as comissões iam dos 5 % aos 35 % e pagavam tecnologia, marketing e entrega. É um dado com seis anos: serve para mostrar a amplitude, não para prever o seu contrato.

Para ter uma ordem de grandeza atual, a referência mais próxima é a concorrente que publica preços: a Uber Eats cobra em Portugal 30 % com os estafetas dela, 20 % com entrega própria e 15 % no levantamento. É o mercado em que a Glovo negoceia.

E há o IVA sobre a comissão

A plataforma fatura-lhe a comissão como um serviço, sujeito a IVA à taxa normal — 23 % no continente —, enquanto a pizza vendida, à mesa, para levar ou entregue em casa, está nos 13 %. O IVA da comissão é dedutível, logo não é custo final, mas é caixa que adianta todos os meses.

150 encomendas por mês de 20 €, supondo uma comissão de 30 %
Por encomendaPor mêsPor ano
Comissão a 30 %6,00 €900 €10 800 €
IVA a 23 % adiantado sobre a comissão1,38 €207 €2484 €
Comissão com entrega própria (± 20 %)4,00 €600 €7200 €
O seu site (só o pagamento)0,55 €82,50 €990 €

Percentagens indicativas: a Glovo não publica tarifas em Portugal. O IVA da comissão é dedutível. Pagamento no site próprio: 1,5 % + 0,25 €, tarifa pública da Stripe para cartões do EEE e MB WAY.

Ponha a sua percentagem real na calculadora em vez de confiar na linha do meio.

Quando a Glovo continua a ser a escolha certa

  • Na sua zona, a procura está lá. As quotas são muito locais: há bairros de Lisboa e do Porto onde a Glovo é a primeira app que se abre, e não estar é não entrar na decisão.
  • Quer entregas sem gerir entregas. Estafetas, seguros, turnos e motas são um negócio à parte.
  • Está a abrir. No primeiro ano, a app põe-no à frente de gente que não sabe que existe. Nenhum site faz isso.
  • A cozinha já está no limite. Se não consegue fazer mais pizzas, a comissão marginal pesa menos do que a encomenda marginal.

O que fazer em vez de sair

A jogada realista é a mesma com qualquer plataforma: mantenha a montra para ser descoberto e dê a quem repete um caminho mais barato. Quem lhe encomenda pela décima vez não precisava de uma app para o encontrar — precisava de um link.

O seu site pode estar online antes do serviço desta noite

Cinco minutos. Sem cartão. E já está online.

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O que ler no contrato

  • A percentagem, e se é fixa ou variável. Se muda, o que a faz mudar.
  • Quem paga os reembolsos decididos pela plataforma. Costumam sair da sua liquidação.
  • Quem financia as promoções que o cliente vê. Normalmente, o restaurante.
  • De quanto em quanto tempo recebe o que foi cobrado.
  • Que entidade fatura a comissão. Se for uma empresa de outro Estado-membro, quem autoliquida o IVA é a pizzaria — fale com o contabilista.

Veja também a comparação com a Uber Eats e a da Bolt Food.

Fontes